Nas claras manhãs da inocência
melodias serenas acalentam os pensamentos
e no compasso da esperança
as desilusões vão perdendo
seu amargo gosto.
Sorrimos para a Vida.
A grande Vida
que não revela os segredos.
Os videntes murmuram suas preces
e os profetas proclamam os castigos,
enquanto os suspiros dos desamparados
abafam o barulho do caos.
As palavras perdidas e inúteis
são engolidas.
A língua se afoga no próprio veneno.
Ao silêncio retornamos.
Somente quando os sabres enferrujarem
e as espadas forem embainhadas,
sentiremos o aroma das flores de laranjeira.
Beberemos o vinho em taças cristalinas.
Nas rosas não haverá sangue,
apenas o orvalho
e a luminosidade argêntea
das noites de lua cheia.
Hora após hora,
dia após dia,
em todos os momentos
e em todos os tormentos,
lembraremos dos caminhos
e dos desvios
que levam e trazem
e que voltam
para os campos de paz,
para a colheita do bem,
para a terra
onde não são proibidos os sonhos.
Autora:Valéria Busch Antonio


Poesia muito bonita! :)