Sou do tempo que criança
brincava de roda,
cantava ingênuas quadrinhas.
Sou do tempo
das cadeiras nas calçadas,
nas noites de verão,
escutando as conversas sérias dos adultos.
Contando estrelas,
sonhando com a lua.
E a rua...
E a rua,
uma ampla sala,
onde as pessoas,
entre suspiros,
bocejos
e desejos
achavam todas as respostas.
Sou do tempo
que o ar era perfumado,
os rios eram de água
e a comida era feita no fogo.
Sou do tempo
em que se jurava
amor eterno
e bordava lençóis
para as noites de amor.
Sou do tempo
em que havia mistérios...